canções, poemas, escritos

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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

o espantalho

o espantalho

é duas vezes maior que o medo

mas veste roupas que transbordam

fossiliza-se no coração dos campos

e amedronta, silencioso, até o vento

fiquei marcado com a ausência de traços

o rosto lembrando um medo de palha

ou pano ou qualquer material inerte

que causa espanto pelo engano

demorei pra ver a madeira

que crucifica o boneco no ar

com seus kilos de gritos invisíveis

nos bolsos da jardineira sempre rasgada

aprendi a mover o sangue mais veloz

minhas pernas em roupas curtas demais

pra entrar na floresta, na casa, quarto, armário

fugir do espanto surdo e mergulhar num tiroteio explícito

familiar e mais alto do que o corpo amarelo jamais alcança

enquanto o espantalho me olhava ao longe

os corvos devoraram a colheita

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