canções, poemas, escritos

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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

3x animal

Dragões

Sairei pelas ruas. Meu deleito. Sou tão sinuoso quando elas. As pessoas no meu ventre dançam. Lá no magma escondido. E de papel, danço um baile embriagado. Elas nunca viram sequer o céu. E é dia de festa: é hoje que eu me incendeio. Cuspo a chama que me consome e logo sou apenas cinzas. Alguma cor que ficou no chão, rastro de carvão. No céu, eram fogos de artifício, e as pessoas com os olhos tremendo no frio das estrelas.

Cavalo marinho

Curvado. Ereto. Hipocampo numa cavalgada marinha. Poeira de bolhas no seu caminho. Por baixo da armadura amarela - tua pele, o sangue frio que ninguém diria. Os olhos que tudo vêem. Negros que parecem poços de cegueira, ou dois pingos de tinta que o polvo cuspiu na cara altiva, tantos ciúmes - meus tentáculos. Nesta suposta calma, a obsessão flutua. A minha. A graça que vejo dançar num aquário exposto ao mundo. Quando eu te perco para o abisso, quando eu cuspo tão forte que te perdes no negro. Quando o cavalo se torna espuma de sal, prestes a galopar no término das ondas. Os meus tentáculos, meus cuspes no ar - aqueles peixes arqueiros que acertam na mosca, quando tudo já é insuficiente e a crina já vai num embalo que meu braço nunca alcança.

Vampiros

Martelar forte até chegar ao fundo do caixão. São eles que arrepiam o pescoço da noite. À procura de tudo que não seja luz, ávidos de boas moças, peles imaculadas e logo abaixo encharcadas de sangue. Cortina da noite na capa que se fecha sobre a virgem inocente. Sangue fresco para os príncipes das trevas. Eu enganei por não ter castelo. Chupei e bem mais do que por dois furos. Provei a carne e o sangue e cuspi o excesso no chão da cozinha. Mal sabia você que nem alho resolve. A loucura nem precisa de caixão, muito menos de teias de aranha, de Cárpatos. Arrastei pelos cabelos até o colchão. Da esquina até o colchão. O lugar para o sacrifício, longe de onde bate o coração dos vampiros. Como a noite e o sol, em contradição.

Um comentário:

  1. ainda não sei qual dos três animais te prefiro, lindo e oprimido, lindo e oprimido: um texto inteiro lindo. vou reler mais vezes esse aqui. bs.

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