Chega o Dia Nacional do Glorioso Poder comemorado com grandes paradas e desfiles. O general se prepara para o grande evento, porém se encontra muito aflito. A ocorrência é a seguinte: as cinco estrelas do traje de gala do general desapareceram. Num extremo desespero e fúria, o general decide mobilizar todo o batalhão. E assim, todos os batalhões e logo o exército inteiro se dedica obsessivamente à procura das preciosas estrelas. Enquanto isso, no país ao lado, o marechal, que vive numa constante inveja e sonho em conquistar o território do general, aproveita a retirada dos soldados nas fronteiras para invadir o vizinho. Naquele mesmo dia, o marechal captura o general e manda executá-lo como é de costume no país tomado: jogando o condenado do alto de um helicóptero no meio do mar. Inconsolável, o general é jogado ao mar e, enquanto aguarda a morte, olha para o céu estrelado límpido (provavelmente será devorado por algum tubarão ou atropelado no intenso tráfego de submarinos e porta-aviões nesta área). Parece-lhe ver brilhar cinco estrelas com mais intensidade, alinhadas em constelação. Enquanto é vítima de um violento ataque de câimbras, percebe com emoção que elas estão todas piscando para ele. Eis uma despedida digna de um general, pensa ele com alívio. Enquanto ele vai afundando, as estrelas reassumem seus tronos e vão contando às outras a dificuldade que foi se desabotoar do paletó sem serem vistas pelas medalhas que, obviamente, estão sempre do lado do patrão.
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